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domingo, 17 de março de 2013

Notas sobre o livro Um Iniciante na Viagem Astral

Apresento aqui breves notas inspiradas pela leitura do livro Um Iniciante na Viagem Astral, de Saulo Calderon, publicada pelo Instituto Viagem Astral (IVA), dis­ponível em http://www.viagemastral.com/site/livro_/. Apesar de considerar-se inician­te, o autor mostra capacidade acima do comum para traduzir vivências em conheci­mento útil, de maneira simples, clara e benévola a todos.

Saulo, iniciante sou eu! Talvez pela dificuldade em compreender sua afirmação “devagar é pressa”. Tenho pouca vivência fora do corpo para acrescentar. Quero apenas registrar as ideias valiosas favorecidas por esta leitura, pois talvez interessem para mais leitores, e também meus agradecimentos e votos de sucesso nesse importante trabalho!

O autor mostra que um assunto rico fala por si, dispensando sofisticações na linguagem, conceitos e argumentos. Mas o livro é simples só nas aparências, pois seu conteúdo traz lições profundas para quem procura conhecer a si mesmo. Saulo demonstra que projetar-se é despir-se. Deixa claro que a saída do corpo é uma jornada para entrar em si mesmo. Não é um paradoxo, é uma consequência. A viagem astral é a retirada desta pesada roupa de carne e ossos que vestimos. Sem ela, estamos nus.

As pessoas tencionam sair do corpo e depois de um tempo, descobrem que não importa muito só sair do corpo, mas estar bem dentro e fora dele. Indagamos, sair para onde? Sair para a espiritualidade! E o que encontraremos lá? Principalmente a nós mesmos da forma mais nua e crua possível, e isso quase nunca é agradável.” (p. 11)

Nus, precisamos encarar a afirmação: “90% do que encontro é sofrimento e ilu­são” (p. 7). Ilusão, pois a roupagem que aplicamos a tudo, até necessária em certos mo­mentos, não deixa de ser disfarce, e a saída consciente do corpo propicia-nos retirar máscaras e desvendar fantasias. E o sofrimento é reação contra aquilo que rejeitamos – parcela da realidade embrulhada em invólucro mais denso para nossa proteção tempo­rária.
Nas relações interconscienciais: “A primeira dimensão a qual normalmente saímos após o despertar fora do corpo é um mundo de perseguidos e perseguidores” (p. 11). Afinal, perseguir é buscar em alguém o que não encontra em si mesmo. Ou ainda, tentar modificar outra consciência para contrabalançar a incapacidade em adaptar-se ou modificar-se. Ilusão e perseguição são duas tentativas paliativas para transformar a realidade externa quando se quer adaptar o mundo ao nosso gosto.
O livro coloca o fenômeno extracorpóreo no devido lugar. Não é ferramenta de autoafirmação mas de autoconfrontamento entre o que se é e o que se imagina ser.

Saulo também ajuda a compreender o medo. “O medo faz parte do processo. Não há como deixar de senti-lo” (p. 15). É espécie de rejeição contra o desconforto, mas o desconforto pode ser o caminho para fora de situações estagnadas. Paralizar uma boa iniciativa por medo é como evitar uma injeção para não sentir a picada da agulha. “O medo é companheiro normal nos estudos espirituais e temos que aprender a lidar com ele e não fingir que ele não existe” (p. 17). Na busca para compreender o assunto, Saulo ainda escutou afirmações que inculcavam mais medos, ao invés de amenizá-los.

Se o medo atrapalha a projeção, como pode a autoconfiança também prejudicá-
-la? Saulo mostra como a autoconfiança, após descobrir a própria capacidade energética fora do corpo, o fez sentir-se “igual a X-man”. Retirava espíritos da casa, afastava-os. Chegou a deixá-los com medo e, em retorno, recebeu hostilidade (p. 63).
É possível compreender como o belicismo não é modo de resolver nada. Matar um bandido, por exemplo, é retirar-lhe um corpo pesado, que lhe dificultava invadir os locais. Longe de ver-se livre do mesmo, pode significar trazê-lo para próximo a si. Quantos não são aqueles que, após cometerem este ato, sentem a presença frequente da consciência nas proximidades, tentando agora roubar-lhe outros bens, mais valiosos do que o dinheiro, por exemplo, a paz e a tranquilidade.
O mesmo se aplica às interações extrafísicas. Não adianta forçar nada contra outra consciência pois, se o modo de pensar não se altera, ela retorna ao comporta­mento costumeiro.
A questão colocada por Saulo é pertinente: “Por que eu teria que ter compre­ensão? Quer dizer, ele tentara me vampirizar, eu me defendi e ele ainda ficou bravo?” (p. 63). Imagine-se na cama, ver de repente um desconhecido ao seu lado. Se o medo atrapalha, a autoconfiança, somente, também não resolve e pode, também atrapalhar.
Aprender a transformar tal evento em interação amistosa é habilidade que vem com a prática, entre erros e acertos. A autoconfiança imprescindível é aquela que temos com respeito a nós mesmos. É confiarmos em nossa capacidade de manter estado íntimo sereno, pacífico. Confiarmos na habilidade para resolvermos nossos pontos fracos, evi­denciados por tais situações. Não deve ser, no entanto, a autoconfiança para forçar outros seres a qualquer coisa, pois esta é a confiança belicista “de X-man”, ilusória.
Por isso a franqueza do autor em falar no assunto. Não adianta querer viajar pelo astral indisposto a passar por situações semelhantes.

A maneira de portar-se frente a estas dificuldades – verdadeiras experiências de aprendizado mútuo extrafísicas – procura ser exemplificada pelos amparadores. Através da exemplificação, procuram fomentam oportunidades nas quais possamos sentir paz, segurança, gratidão em sermos úteis. O medo e as reações de briga (no fundo é mesma coisa) tornam-se pequenos. Após nos conscientizarmos do amparo, queremos reproduzir esta condição sempre.

Não há palavras para definir, só podemos sentir, vivenciar aquela energia que nos banha. Às vezes desejamos que todos no mundo possam sentir tão benfazeja sensação. E é aí que entra a consciência do amparo. Como não amparar? No corpo, fora dele, que diferença faz.” (p. 33)

Buscar este sentimento já é, por si, recompensador. A paz íntima motiva procu­rarmos mais interações neste padrão. Ela convence-nos de que existe condição inter­consciencial mutuamente gratificante, elevada, superior.
Este momento gratificante foi sentido no primeiro e mais marcante contato de Saulo com o amparador pessoal,“um rapaz de bermuda, chinelos e camisa marrom” que ao ser abordado, lhe respondeu:

Eu sou o que as pessoas chamam de Anjo guardião, mas você pode me ter como um amigo, como alguém em que pode confiar e eu o ajudarei a entender e estarei perto sempre que precisar. Alegro-me que posso me apresentar para você da forma como sou mesmo, pois vou a muitos lugares e por respeito apareço da forma que não agrida cada ambiente por onde passo (…) Quando você começar a estudar o assunto, procure entender que cada lugar vai ter um jeito diferente de entender e estudar (…) não se esqueça de usar de simplicidade e respeitar cada local por onde passar.” (p. 43)

São palavras que falam por si e, de certo modo, resumem os princípios norteadores que Saulo aplica à projeção e ao livro.

No início, lamentei não ter conhecido o livro antes. Por outro lado, não teria compreendido alguns dos ensinamentos. Poderia ter agido perdulariamente e dado pouca atenção à obra. Talvez o autor tenha razão: devagar é pressa.

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