Apresento aqui breves notas inspiradas pela leitura do livro Um
Iniciante na Viagem Astral, de Saulo Calderon, publicada pelo
Instituto Viagem Astral (IVA), disponível em
http://www.viagemastral.com/site/livro_/. Apesar de considerar-se iniciante, o autor mostra capacidade
acima do comum para traduzir vivências em conhecimento útil,
de maneira simples, clara e benévola a todos.
Saulo, iniciante sou eu! Talvez pela dificuldade em compreender sua
afirmação “devagar é pressa”. Tenho pouca vivência fora do
corpo para acrescentar. Quero apenas registrar as ideias valiosas
favorecidas por esta leitura, pois talvez interessem para mais
leitores, e também meus agradecimentos e votos de sucesso nesse
importante trabalho!
O autor mostra que um assunto rico fala por si, dispensando
sofisticações na linguagem, conceitos e argumentos. Mas o livro é
simples só nas aparências, pois seu conteúdo traz lições
profundas para quem procura conhecer a si mesmo. Saulo demonstra que
projetar-se é despir-se. Deixa claro que a saída do corpo
é uma jornada para entrar em si mesmo. Não é um paradoxo, é
uma consequência. A viagem astral é a retirada desta pesada roupa
de carne e ossos que vestimos. Sem ela, estamos nus.
“As pessoas tencionam
sair do corpo e depois de um tempo, descobrem que não importa muito
só sair do corpo, mas estar bem dentro e fora dele. Indagamos, sair
para onde? Sair para a espiritualidade! E o que encontraremos lá?
Principalmente a nós mesmos da forma mais nua e crua possível, e
isso quase nunca é agradável.” (p.
11)
Nus, precisamos encarar a afirmação: “90% do que encontro é
sofrimento e ilusão” (p. 7). Ilusão, pois a roupagem que
aplicamos a tudo, até necessária em certos momentos, não
deixa de ser disfarce, e a saída consciente do corpo propicia-nos
retirar máscaras e desvendar fantasias. E o sofrimento é
reação contra aquilo que rejeitamos – parcela da realidade
embrulhada em invólucro mais denso para nossa proteção
temporária.
Nas relações interconscienciais: “A primeira dimensão a qual
normalmente saímos após o despertar fora do corpo é um mundo de
perseguidos e perseguidores” (p. 11). Afinal, perseguir é
buscar em alguém o que não encontra em si mesmo. Ou ainda, tentar
modificar outra consciência para contrabalançar a incapacidade em
adaptar-se ou modificar-se. Ilusão e perseguição são duas
tentativas paliativas para transformar a realidade externa quando se
quer adaptar o mundo ao nosso gosto.
O livro coloca o fenômeno extracorpóreo no devido lugar. Não é
ferramenta de autoafirmação mas de autoconfrontamento entre o que
se é e o que se imagina ser.
Saulo também ajuda a compreender o medo. “O medo faz parte do
processo. Não há como deixar de senti-lo” (p. 15). É espécie
de rejeição contra o desconforto, mas o desconforto pode ser o
caminho para fora de situações estagnadas. Paralizar uma boa
iniciativa por medo é como evitar uma injeção para não sentir a
picada da agulha. “O medo é companheiro normal nos estudos
espirituais e temos que aprender a lidar com ele e não fingir que
ele não existe” (p. 17). Na busca para compreender o assunto,
Saulo ainda escutou afirmações que inculcavam mais medos, ao invés
de amenizá-los.
Se o medo atrapalha a projeção, como pode a autoconfiança também
prejudicá-
-la? Saulo mostra como a autoconfiança, após descobrir a própria capacidade energética fora do corpo, o fez sentir-se “igual a X-man”. Retirava espíritos da casa, afastava-os. Chegou a deixá-los com medo e, em retorno, recebeu hostilidade (p. 63).
-la? Saulo mostra como a autoconfiança, após descobrir a própria capacidade energética fora do corpo, o fez sentir-se “igual a X-man”. Retirava espíritos da casa, afastava-os. Chegou a deixá-los com medo e, em retorno, recebeu hostilidade (p. 63).
É possível compreender como o belicismo não é modo de resolver
nada. Matar um bandido, por exemplo, é retirar-lhe um corpo pesado,
que lhe dificultava invadir os locais. Longe de ver-se livre do
mesmo, pode significar trazê-lo para próximo a si. Quantos não são
aqueles que, após cometerem este ato, sentem a presença frequente
da consciência nas proximidades, tentando agora roubar-lhe outros
bens, mais valiosos do que o dinheiro, por exemplo, a paz e a
tranquilidade.
O mesmo se aplica às interações extrafísicas. Não adianta forçar
nada contra outra consciência pois, se o modo de pensar não se
altera, ela retorna ao comportamento costumeiro.
A questão colocada por Saulo é pertinente: “Por que eu teria
que ter compreensão? Quer dizer, ele tentara me vampirizar, eu
me defendi e ele ainda ficou bravo?” (p. 63). Imagine-se na
cama, ver de repente um desconhecido ao seu lado. Se o medo
atrapalha, a autoconfiança, somente, também não resolve e pode,
também atrapalhar.
Aprender a transformar tal evento em interação amistosa é
habilidade que vem com a prática, entre erros e acertos. A
autoconfiança imprescindível é aquela que temos com respeito a nós
mesmos. É confiarmos em nossa capacidade de manter estado íntimo
sereno, pacífico. Confiarmos na habilidade para resolvermos nossos
pontos fracos, evidenciados por tais situações. Não deve ser,
no entanto, a autoconfiança para forçar outros seres a qualquer
coisa, pois esta é a confiança belicista “de X-man”,
ilusória.
Por isso a franqueza do autor em falar no assunto. Não adianta
querer viajar pelo astral indisposto a passar por situações
semelhantes.
A maneira de portar-se frente a estas dificuldades – verdadeiras
experiências de aprendizado mútuo extrafísicas – procura ser
exemplificada pelos amparadores. Através da exemplificação,
procuram fomentam oportunidades nas quais possamos sentir paz,
segurança, gratidão em sermos úteis. O medo e as reações de
briga (no fundo é mesma coisa) tornam-se pequenos. Após nos
conscientizarmos do amparo, queremos reproduzir esta condição
sempre.
“Não há palavras para
definir, só podemos sentir, vivenciar aquela energia que nos banha.
Às vezes desejamos que todos no mundo possam sentir tão benfazeja
sensação. E é aí que entra a consciência do amparo. Como não
amparar? No corpo, fora dele, que diferença faz.” (p.
33)
Buscar este sentimento já é, por si, recompensador. A paz íntima
motiva procurarmos mais interações neste padrão. Ela
convence-nos de que existe condição interconsciencial
mutuamente gratificante, elevada, superior.
Este momento gratificante foi sentido no primeiro e mais marcante
contato de Saulo com o amparador pessoal,“um rapaz de bermuda,
chinelos e camisa marrom” que ao ser abordado, lhe respondeu:
“Eu sou o que as pessoas
chamam de Anjo guardião, mas você pode me ter como um amigo, como
alguém em que pode confiar e eu o ajudarei a entender e estarei
perto sempre que precisar. Alegro-me que posso me apresentar para
você da forma como sou mesmo, pois vou a muitos lugares e por
respeito apareço da forma que não agrida cada ambiente por onde
passo (…) Quando você começar a estudar o assunto, procure
entender que cada lugar vai ter um jeito diferente de entender e
estudar (…) não se esqueça de usar de simplicidade e respeitar
cada local por onde passar.” (p.
43)
São palavras que falam por si e, de certo modo, resumem os
princípios norteadores que Saulo aplica à projeção e ao livro.
No início, lamentei não ter conhecido o livro antes. Por outro
lado, não teria compreendido alguns dos ensinamentos. Poderia ter
agido perdulariamente e dado pouca atenção à obra. Talvez o autor
tenha razão: devagar é pressa.
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