Ao perceber algo extraordinário você já deve ter se perguntado "- Qual é o significado disso?"
Imagine que enquanto escrevo vejo passar pela minha janela um beija-flor. Você provavelmente já teve alguma experiência parecida, e até exclamou para as pessoas próximas "- Olha o beija-flor!"
E qual o significado disso? Normalmente não é uma pergunta que nos faríamos. Pois a visita do beija-flor, embora tenha sido uma surpresa agradável, não foi algo totalmente estranho de acontecer. Mas o fato é que poderíamos nos fazer essa pergunta. E poderíamos também tentar respondê-las. Quem sabem é devido à chegada da primavera, ou quem sabe significa que é meu dia de sorte, ou… ou… ou… Algumas perguntas conseguiríamos responder, outras não. Mas o importante aqui é ter em mente é que podemos, de fato, perguntar o significado de tudo o que percebemos.
O próximo passo do raciocínio é notarmos que, enquanto percebemos o beija-flor, nossos sentidos estavam captando milhares de outras coisas. Visualmente, seus olhos captavam todo o entorno. Ao mesmo tempo, você sentia cheiros, toques, sonhs.Você estava em um certo estado físico e psicológico. E se tentarmos detalhar cada uma dessas coisas, a lista não parará de crescer. O único motivo de nos perguntarmos o significado do beija-flor, não o significado das crianças estarem brincando no parquinho ou de um SMS no celular é porque o primeiro fenômeno era mais improvável, inesperado, causando-nos maior surpresa. Para outra pessoa, vivendo em outro contexto, um beija-flor pode ser a coisa mais comum do mundo mas um aparelho celular pode ser inacreditável.
Que conclusão podemos tirar até aqui? A de que o significado não é uma característica inerente às coisas mas algo que atribuímos a elas. Em síntese, podemos dizer que o significado é o nosso ponto de vista sobre as coisas. Antes do significado se formar, temos uma experiência sobre as coisas. Essa experiência inclui sensações, reações, memórias, muitas das quais ocorrem de maneira imediata, antes de tomarmos consciência das mesmas. A consciência vem depois, através da observação, atenção, reflexão; e com estes vamos colocando significado nos acontecimentos.
Com isso chego ao argumento central deste artigo. Quando procuramos o significado de algo, estamos atrás, não de características deste algo mas de nossa relação com ele. No caso do beija-flor, por exemplo, a pergunta "qual o significado do beija-flor para os astecas" tem uma resposta diferente da pergunta "qual o significado do beija-flor para meu vizinho". E ambas respostas são diferentes da pergunta "o que é um beija-flor". Nesta última estou me perguntando sobre um objeto, enquanto nas duas anteriores estou perguntando para um sujeito (os maias, o vizinho). Perguntar pelo significado das coisas é uma atividade reflexiva, ou seja, ela pede para que o sujeito reflita-se sobre o objeto percebido.
Pode ser, inclusive, uma pergunta incômoda e nem sempre indicada de se fazer. Já tive ocasiões em que fui perguntado "o que é isso que percebi". Em resposta, falei que poderíamos tentar descobrir o que é começando pode descobrir o que significa. Mas muitas pessoas não gostam de seguir por este caminho, pois pretendiam investigar uma experiência extraordinária como se ela fosse completamente externa e independente da nossa própria personalidade.
Perguntar-se pelo significado é um exercício bastante livre e que pode deixar o sujeito da resposta confuso. Afinal de contas, não haverá respostas "certas e erradas", conforme somos condicionados na escola. É mais um exercício de autoexploração, no qual quem se pergunta acabará experimentando ativamente a repercussão da resposta, não sendo um mero "expectador do conhecimento", na posição de descobridor do que está fora, a qual pode ser emocionalmente mais neutra. Perguntar-se pelo significado é uma tarefa exploratória na qual o "certo e errado" é dado pelas nossas emoções, mais do que pelo nosso intelecto. Não é bem o que estamos acostumados e por isso podemos achar incômodo.
Saiba mais sobre como fazer esse movimento de autodescoberta no artigo "Autoconhecimento".
Imagens: HDwallsize e Laura Williams
Com isso chego ao argumento central deste artigo. Quando procuramos o significado de algo, estamos atrás, não de características deste algo mas de nossa relação com ele. No caso do beija-flor, por exemplo, a pergunta "qual o significado do beija-flor para os astecas" tem uma resposta diferente da pergunta "qual o significado do beija-flor para meu vizinho". E ambas respostas são diferentes da pergunta "o que é um beija-flor". Nesta última estou me perguntando sobre um objeto, enquanto nas duas anteriores estou perguntando para um sujeito (os maias, o vizinho). Perguntar pelo significado das coisas é uma atividade reflexiva, ou seja, ela pede para que o sujeito reflita-se sobre o objeto percebido.
Pode ser, inclusive, uma pergunta incômoda e nem sempre indicada de se fazer. Já tive ocasiões em que fui perguntado "o que é isso que percebi". Em resposta, falei que poderíamos tentar descobrir o que é começando pode descobrir o que significa. Mas muitas pessoas não gostam de seguir por este caminho, pois pretendiam investigar uma experiência extraordinária como se ela fosse completamente externa e independente da nossa própria personalidade.
Perguntar-se pelo significado é um exercício bastante livre e que pode deixar o sujeito da resposta confuso. Afinal de contas, não haverá respostas "certas e erradas", conforme somos condicionados na escola. É mais um exercício de autoexploração, no qual quem se pergunta acabará experimentando ativamente a repercussão da resposta, não sendo um mero "expectador do conhecimento", na posição de descobridor do que está fora, a qual pode ser emocionalmente mais neutra. Perguntar-se pelo significado é uma tarefa exploratória na qual o "certo e errado" é dado pelas nossas emoções, mais do que pelo nosso intelecto. Não é bem o que estamos acostumados e por isso podemos achar incômodo.
Saiba mais sobre como fazer esse movimento de autodescoberta no artigo "Autoconhecimento".
Imagens: HDwallsize e Laura Williams


Nenhum comentário:
Postar um comentário