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terça-feira, 13 de junho de 2017

Hipnose: que esperar de uma sessão?

Conforme expliquei no post anterior, hipnose tem uma definição ampla, permitindo que muitas práticas diferentes se encaixam neste conceito. Tenha em vista que a explicação a seguir se adequa melhor para os procedimentos hipnóticos utilizados em sessões de psicoterapia.
Você procura terapeutas que possam ajudar-lhe em determinado problema e se depara com algum que oferece hipnose. Isso lhe desperta a curiosidade. Você já ouviu falar sobre hipnose mas não conhece e nunca passou por esse tipo de procedimento. O que esperar?


Relaxamento
 De modo geral, a hipnose inicia com algum tipo de relaxamento. Isto se dá por vários motivos. O relaxamento, em si, é um caminho terapêutico, a depender da circunstância e do que se almeja. Serve como uma espécie de calmante. O paciente, ao relaxar, vai retomando o contato com o seu corpo e sua mente, vai ganhando percepção e controle do que acontece consigo. O relaxamento facilita a manutenção da atenção no objetivo buscado. Em um contexto terapêutico, ajuda a estabelecer a confiança entre paciente e terapeuta. Em fim, é um exercício e uma experiência que pode trazer inúmeros benefícios. Para auxiliar no relaxamento, o terapeuta irá instruir o paciente sobre como diminuir as interferências internas (corporais e mentais) e como se dissociar das interferências ambientais. No que tange especificamente à hipnose, o relaxamento auxilia a mente a caminhar na direção de determinado foco, abstraindo-se dessas interferências. Então, ao iniciar a hipnose o terapeuta possivelmente irá orientá-lo a relaxar.

Atenção dirigida
Concomitante ao relaxamento, o terapeuta o conduzirá por algum enredo mental, um roteiro. Esse enredo varia muito, a depender do estilo do terapeuta, do que ele identifica ser adequado a você e do que você busca na terapia. Alguns roteiros são mais prontos enquanto outros vão sendo criados a medida em que o processo avança. Alguns são mais interativos, onde eventualmente o terapeuta lhe perguntará coisas para saber como está sendo a sua experiência. Ao longo do roteiro, o terapeuta também procurará sinais corporais que indicam a profundidade do seu relaxamento e, assim, ajustar a condução do exercício. Neste exercício, vários processos ocorrem. A condução através de uma voz lenta e suave, somada ao relaxamento, tende a levá-lo a um estado de consciência semelhante ao do sono, ou seja, no qual suas faculdades conscientes estão menos atuantes. Nessa condução o terapeuta toma contato com a predisposição do paciente a ser conduzido e também a entrar em transe - duas qualidades que influenciam muito a experiência hipnótica.

Consciência
O aspecto da hipnose que mais instiga o imaginário popular gira em torno da ideia de ficar completamente passivo às ordens do hipnotizador. Algumas pessoas inclusive solicitam ao terapeuta que grave a sessão, para assistirem o que acontece enquanto elas estão hipnotizadas. Mas na verdade as coisas não se passam dessa maneira. Na maioria absoluta dos casos, o paciente acompanha tudo o que se passa na sessão, sentindo-se consciente sobre os comandos hipnóticos e tendo o livre-arbítrio de segui-los ou não, ou mesmo interromper o exercício. Em raras ocorrências o paciente chega a interagir inconsciente, como se estivesse sonâmbulo, ou esquecendo da experiência ao "acordar". A hipnose mais frequente é como a caminhada numa floresta desconhecida, na qual o paciente está livre para fazer seu trajeto mas pode optar por seguir o terapeuta.
A hipnose extremamente profunda, na qual a consciência do paciente fica completamente suscetível às sugestões do hipnotizador é rara e ocorre com indivíduos realmente predispostos. Um paciente muito predisposto pode entrar em transe profundo com um hipnotizador novato mais facilmente do que um paciente pouco predisposto nas mãos do hipnotizador experiente.

InconsciênciaA inconsciência mais comum, se ocorrer, é aquela na qual o paciente acaba dormindo durante o relaxamento. O procedimento da hipnose se parece muito com um "sono induzido". Por vezes se assemelha ao mesmo que faz a mão ao contar uma história para a criança pegar no sono. Trabalhando nessa fronteira entre a vigília e o sono, o paciente pode acabar dormindo. Normalmente não é esse o objetivo. Entretanto, da mesma forma como respondemos a estímulos externos durante o sono, também registramos de maneira subconsciente a condução do hipnotizador, caso durmamos. Provavelmente não iremos levantar da poltrona feito zumbis. Mas uma boa condução hipnótica ajuda a produzir impressões na memória para o que se busca, mesmo que o paciente caia no sono.
Controle
No imaginário popular ficamos impressionados com casos onde o hipnotizador imprime comandos mentais de maneira tão forte que a cobaia acredita estar comendo uma maçã enquanto come uma cebola, ou vai no caixa eletrônico e transfere todo o dinheiro para a conta do hipnólogo. Mas as coisas não ocorrem exatamente dessa maneira. Pessoas com alta capacidade imaginativa e alta vontade de colaborar com o hipnotizador acabam, muitas vezes, desempenhando estes papeis de maneira bastante convincente. Este efeito se potencializa em contextos de hipnose coletiva, onde pode haver ganhos no sentido de aceitação grupal ao fazer uma performance de uma "boa cobaia". Com tudo isso não quero dizer que uma passividade completa não seja possível mas sim que ela é muito rara e só tem chances de ocorrer com um voluntário realmente colaborativo, nunca contra a própria vontade.
Com respeito aos objetivos terapeuticos, o controle do terapeuta sobre o paciente não é exatamente o que se busca. Pelo menos quando queremos fortalecer e empoderar o paciente. Para mim, soa como procurar soluções mágicas - chegar no consultório, fechar os olhos e acordar diferente. Não condeno quem procura isso. Soluções externas têm sua razão de ser. Quando procuro um médico para remover um cisto, ou um massagista para desmanchar uma torcicolo, também estou buscando uma solução externa. Mas se não aprendo a atuar nas causas, voltarei a ter o mesmo problema futuramente. É com essa filosofia que me oriento para praticar uma hipnose na qual o paciente tenha participação e consciência das causas e estratégias de enfrentar determinado problema.
Imagens: Memoria Emocional, Insonia,

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