Como conhecer-se?
(O prefixo auto no título é redundante.)Introdução: o conhecimento
Os métodos para conhecer algo são, em teoria, infinitos. Posso pensar em vários que possibilitam derivar algumas verdades sobre si próprio. Entretanto, de tudo o que já estudei sobre autoconhecimento, há um muito especial do qual sempre senti falta. Na minha opinião, trata-se do mais fundamental, um fundamento para qualquer outro tipo de método mais sofisticado. Mas antes, precisamos estabelecer as bases do raciocínio:
a. Conhecer
Se quiséssemos ser rigorosos com a linguagem, penso que deveríamos falar em conhecer (processo, ação) ao invés de conhecimento (produto, resultado). Explico, fazendo uma breve incursão na Filosofia do Conhecimento:
Nosso pensamento racional ou consciente se baseia em proposições - afirmações ou sentenças que podem ser verdadeiras ou falsas. Por exemplo: "João está feliz"; "há maçãs na cozinha"; "a senhora é bonita". Algumas proposições podem ser ambíguas demais, dificultando a verificação, exigindo que sejam desdobradas em elementos mais bem definidos. Por exemplo: "O Brasil é lindo". Para avaliar a veracidade desta afirmação é preciso definir melhor o que está englobado nos conceitos Brasil e lindo, e encontrar um critério qualitativo ou quantitativo de avaliar a "lindeza" de todos os elementos envolvidos nestes conceitos. Não é possível conhecer uma afirmação se seus elementos não são precisamente definidos. Este é um postulado básico da filosofia clássica.
Aqui entra o papel do método. Metodologia consiste em encontrar meios para descobrir a verdade ou falsidade de uma proposição. No caso de "João está feliz", o método de verificação pode ser "perguntar a João". Se ele responder que sim, a proposição é verdadeira. Se ele responder que não, a proposição é falsa. Os métodos podem ser aperfeiçoados ao infinito. Posso criar um método melhor do que esse, para prevenir-me da possibilidade de João estar mentindo. João pode afirmar que é feliz para tentar manter as aparências ou pode afirmar que não é, para enganar o entrevistador. Então desenvolvo uma entrevista com mais perguntas, buscando detectar possíveis contradições ou informações ocultas, para ter uma visão mais ampla sobre o estado emocional de João. Posso entrevistar amigos de João. Posso fazer exames médicos para conhecer a saúde de João e demais fatores relacionados à felicidade. Assim por diante, o conhecimento sobre a felicidade de João se desenvolve infinitamente.
Por isso afirmei que o conhecimento é um processo. No exemplo acima, conhecimento é o processo através do qual consigo expandir, cada vez mais, as formas de responder à pergunta se João está feliz. Agora imagine que, em uma primeira pesquisa, cheguemos à resposta SIM. Posteriormente, descobrimos novas variáveis e aperfeiçoamos nosso método, e chegamos à resposta NÃO. Em uma terceira etapa, com um método mais rigoroso, concluímos novamente pelo SIM. A pessoa leiga pode achar que esta ciência não serve para nada pois não consegue chegar a uma resposta definitiva. Mas de fato, o que acontece é o contrário. A cada passo, acumulou-se mais conhecimento e descobriram-se mais detalhes sobre João, sobre a felicidade e sobre métodos de investigação. A pessoa leiga se incomoda com a falta de respostas definitivas sobre as coisas, mas o cientista não está procurando respostas definitivas. O que o cientista procura é aprender cada vez mais sobre o objeto de estudo e sobre as formas de conhecê-lo. Como na metáfora do caminhante, nos construímos no caminho, no meio, na aplicação do método. O fim, a chegada, a resposta, o resultado é apenas uma consequência.
(continua…)
Aqui entra o papel do método. Metodologia consiste em encontrar meios para descobrir a verdade ou falsidade de uma proposição. No caso de "João está feliz", o método de verificação pode ser "perguntar a João". Se ele responder que sim, a proposição é verdadeira. Se ele responder que não, a proposição é falsa. Os métodos podem ser aperfeiçoados ao infinito. Posso criar um método melhor do que esse, para prevenir-me da possibilidade de João estar mentindo. João pode afirmar que é feliz para tentar manter as aparências ou pode afirmar que não é, para enganar o entrevistador. Então desenvolvo uma entrevista com mais perguntas, buscando detectar possíveis contradições ou informações ocultas, para ter uma visão mais ampla sobre o estado emocional de João. Posso entrevistar amigos de João. Posso fazer exames médicos para conhecer a saúde de João e demais fatores relacionados à felicidade. Assim por diante, o conhecimento sobre a felicidade de João se desenvolve infinitamente.
Por isso afirmei que o conhecimento é um processo. No exemplo acima, conhecimento é o processo através do qual consigo expandir, cada vez mais, as formas de responder à pergunta se João está feliz. Agora imagine que, em uma primeira pesquisa, cheguemos à resposta SIM. Posteriormente, descobrimos novas variáveis e aperfeiçoamos nosso método, e chegamos à resposta NÃO. Em uma terceira etapa, com um método mais rigoroso, concluímos novamente pelo SIM. A pessoa leiga pode achar que esta ciência não serve para nada pois não consegue chegar a uma resposta definitiva. Mas de fato, o que acontece é o contrário. A cada passo, acumulou-se mais conhecimento e descobriram-se mais detalhes sobre João, sobre a felicidade e sobre métodos de investigação. A pessoa leiga se incomoda com a falta de respostas definitivas sobre as coisas, mas o cientista não está procurando respostas definitivas. O que o cientista procura é aprender cada vez mais sobre o objeto de estudo e sobre as formas de conhecê-lo. Como na metáfora do caminhante, nos construímos no caminho, no meio, na aplicação do método. O fim, a chegada, a resposta, o resultado é apenas uma consequência.
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Imagens: Doug Michael Truth e Weird Sciece Kids


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